
Compreender o que boa parte das pessoas deseja para as suas carreiras não é tão simples. A frase do título deste artigo pode parecer ampla demais. Afinal, de quais profissionais estamos falando? Atualmente, no mercado de trabalho, temos mais de uma geração na ativa. Pessoas com diferentes valores, atitudes e crenças que buscam realizar-se profissionalmente.
Vamos falar aqui de duas gerações que até 2030 representarão mais de 74% da força de trabalho: os Millennials (1981–1996) e a Geração Z (1997–2010).
Boa parte dos Millennials, também conhecidos como Geração Y, enfrentaram a crise financeira de 2008 no início de suas carreiras e experimentaram altos níveis de desemprego, oportunidades limitadas e ondas de estagnação do mercado de trabalho. É uma geração que precisou vivenciar longos turnos e muitas horas de trabalho por uma remuneração que, muitas vezes, não compensava as horas de dedicação.
Ao mesmo tempo, ao vivenciarem tal realidade, passaram a questionar o status quo, valorizando trabalhos com mais propósito e novos padrões, como o trabalho híbrido ou remoto.
Já os profissionais da Geração Z começaram suas carreiras durante uma pandemia global, resultando em questionamentos e reflexões importantes, como: qual é o verdadeiro papel que o trabalho tem na vida das pessoas? É uma geração especialmente interessada em equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Embora com contextos distintos, ambas as gerações se caracterizam por rejeitar regras tradicionais e estruturas de trabalho mais antiquadas. O que elas querem mesmo é buscar satisfação e felicidade profissional.
Aprendizado e desenvolvimento como prioridade no trabalho
Tanto os Millennials quanto a Geração Z têm como prioridade no ambiente de trabalho o aprendizado e o desenvolvimento profissional. E esperam que as empresas os ajudem nesse processo.
São profissionais ambiciosos, nos quais conquistar uma boa remuneração é importante, mas não necessariamente significa almejar cargos maiores e melhores. Muitos, inclusive, nem desejam ocupar uma alta posição executiva. Apenas 6% dizem ter como objetivo principal chegar a um grande cargo de liderança, segundo pesquisa da Deloitte.
Eles procuram dentro de seus empregos significado, propósito e bem-estar.
Nesse sentido, o grande desafio das empresas é que a maior parte desta força de trabalho deposita nelas uma grande expectativa de apoio para encontrar significado, equilíbrio e qualidade de vida. No dia a dia, porém, muitos profissionais sentem que suas lideranças não conseguem atender plenamente a essas necessidades.
O foco é o aprendizado e o desenvolvimento de soft skills
As soft skills — como comunicação, liderança, empatia e networking — são um dos temas mais valorizados em termos de evolução profissional.
Para desenvolvê-las, ambas as gerações apontam a importância de mentorias e coaching de profissionais mais seniores.
86% da Geração Z acredita que esse tipo de orientação ajuda no desenvolvimento de habilidades. Entre os Millennials, esse número chega a 84%.
Outra tática de desenvolvimento valorizada é o aprendizado on-the-job, aquele que envolve vivência prática e real. 89% de ambas as gerações acreditam nessa abordagem como forma eficaz de evolução profissional.
Feedbacks frequentes, colaboração entre colegas e programas formais de treinamento também são citados como formas importantes de desenvolvimento.

O que Millennials e Geração Z esperam de suas lideranças
Tanto os Millennials quanto a Geração Z esperam que seus líderes os orientem, deem suporte e inspirem por meio de mentorias e acompanhamento próximo.
Eles também esperam ajuda para estabelecer limites entre vida pessoal e profissional, garantindo o tão desejado equilíbrio entre esses dois aspectos.
Na prática, porém, muitos profissionais percebem que suas lideranças estão mais focadas nas entregas do dia a dia. Essa percepção é confirmada por líderes em posição de gestão.
Segundo a pesquisa Global Human Capital Trends, da Deloitte, os líderes passam cerca de 40% do tempo resolvendo problemas operacionais e atividades administrativas, enquanto apenas 13% do tempo é dedicado ao desenvolvimento do time.
Como os líderes podem ajudar no desenvolvimento profissional
O caminho para reduzir o gap entre o que os profissionais buscam e o que as empresas oferecem é direcionar maior esforço para a aprendizagem e o desenvolvimento contínuo.
Essa preocupação deve fazer parte de toda a jornada do profissional dentro da organização, o que exige:
- identificar quais competências são necessárias para a execução das atividades
- promover oportunidades reais de aprendizado
- garantir que as pessoas se sintam à vontade para dedicar tempo ao desenvolvimento, mesmo com altas cargas de trabalho
Esses são fatores cruciais para alinhar os interesses dos profissionais com os de suas lideranças.
Ao priorizar a aprendizagem e o desenvolvimento, as empresas promovem crescimento profissional, aspecto altamente esperado e valorizado pelos profissionais da Geração Y e da Geração Z em suas carreiras.
Nosso programa de treinamento nas empresas propõe o desenvolvimento de soft skills, elemento bastante valorizado nas relações humanas, que levam a uma mudança consistente de comportamento.

De onde saíram essas ideias
- Deloitte Global 2025 Gen Z and Milennials Survey. https://www.deloitte.com/content/dam/assets-shared/docs/campaigns/2025/2025-genz-millennial-survey.pdf
- Deloitte Global Human Capital Trends. https://www.deloitte.com/content/dam/insights/articles/2025/glob187692_global-human-capital-trends/DI_2025-Global-Human-Capital-Trends.pdf






